Parece madeira, mas é alumínio: acabamento inovador vai ganhar padronização inédita no Brasil

“Com estética e textura que reproduzem a madeira natural, solução ganha espaço no mercado enquanto ABAL lidera criação de norma técnica pioneira”

São Paulo, abril de 2026 – À primeira vista, parece madeira: no visual, no toque e até nos detalhes dos veios. Mas é alumínio. O acabamento conhecido como “efeito madeira” vem conquistando espaço por unir a estética acolhedora da madeira à alta performance do alumínio, e agora avança para um novo patamar no Brasil. A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) lidera, de forma pioneira, a elaboração de uma norma técnica inédita para esse tipo de acabamento.

O “efeito madeira” pode ser obtido por diferentes métodos industriais, como a sublimação, o sistema de pó sobre pó e o chamado real wood. Em todos eles, o processo começa com a aplicação de uma camada base, responsável pela coloração inicial, que pode variar entre tons claros e escuros. Na sublimação, um filme transfer é utilizado para reproduzir os desenhos e padrões da madeira, enquanto nos demais processos uma segunda camada de tinta é aplicada antes da cura completa, formando os veios e nuances característicos. O realismo do resultado, tanto visual quanto ao toque, é garantido por uma base microtexturizada, que confere à superfície uma leve rugosidade, reproduzindo com fidelidade o aspecto natural da madeira.

O alumínio com aspecto de madeira vem sendo cada vez mais utilizado na construção civil, especialmente em esquadrias, elementos vazados, divisórias e revestimentos. Segundo a ABAL, o Brasil produz cerca de 13 mil toneladas desse tipo de material por ano, refletindo um mercado em expansão e com crescente nível de exigência técnica.

Nesse contexto, a criação da norma técnica busca estabelecer referências claras para o setor, abrangendo critérios de qualidade, desempenho e padronização dos diferentes processos utilizados. A iniciativa também contribui para uniformizar parâmetros de avaliação do produto, trazendo mais transparência ao mercado e maior segurança para fabricantes, especificadores e consumidores finais. A texto está sendo elaborado pela Comissão de Estudo de Tratamentos de Superfície do Alumínio, do Comitê Brasileiro do Alumínio, criado e gerido pela ABAL. Depois de finalizada, a norma será encaminhada à ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que vai submetê-la à Consulta Nacional, processo em que qualquer pessoa pode contribuir com o texto proposto e sugerir alterações à Comissão. Se não houver comentários desfavoráveis, o texto será publicado como norma nacional.

“A norma acompanha o crescimento do setor e estabelece critérios claros de qualidade, desempenho e padronização”, afirma Denise Veiga, gerente da área técnica da ABAL. “Na prática, isso traz mais previsibilidade e confiança ao consumidor final, especialmente em aspectos como durabilidade e adequação ao uso, além de dar mais segurança para fabricantes e profissionais envolvidos na especificação. É um passo importante para a consolidação desse segmento e para posicionar o Brasil como referência nesse tipo de tecnologia”, conclui.

Além do apelo estético, o acabamento se destaca pelas vantagens do alumínio como material. Altamente reciclável, ele contribui para soluções mais sustentáveis e apresenta baixa necessidade de manutenção. Já a madeira natural exige cuidados constantes, como aplicação de verniz e outros tratamentos. A durabilidade também é um diferencial: o alumínio não sofre com empenamento, apodrecimento ou deterioração causada por sol e umidade, o que garante maior vida útil e melhor custo-benefício ao longo do tempo.