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ABAL na Mídia: indústria aponta riscos no acordo entre Mercosul e Coreia do Sul

 

A indústria brasileira critica a possibilidade de o Mercosul fechar neste momento um acordo comercial com a Coreia do Sul e reclama da falta de informações sobre os termos da negociação em meio à pandemia da covid-19. A expectativa é que os governos dos países do Mercosul promovam uma nova rodada de negociação com o país asiático em maio.

“O Brasil está prestes a fazer um negócio arriscado”, diz Milton Rego, presidente-executivo da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL). A entidade lembra que a Coreia é o segundo país que mais sofre ações antidumping e de direitos compensatórios, atrás apenas para a China, segundo dados da Organização Mundial do Comércio (OMC).

“No início das discussões, devido a esse histórico coreano, alertamos o governo brasileiro que perfis, chapas e folhas de alumínio eram produtos sensíveis, ou seja, teríamos muitos problemas pela frente”, diz Rego. “Mas, desde então, não temos clareza do que está sendo colocado na mesa”.

Além disso, o executivo questiona o momento para a realização do acordo.

“Por que tentar concluir uma negociação justamente quando a indústria nacional se encontra extremamente fragilizada em razão da pandemia e há excesso de oferta no mercado internacional?”.

Para Milton Rego, o momento exige uma atuação “fora da caixinha ultraliberal de alguns técnicos da equipe econômica”, no sentido de revigorar o setor produtivo. “Não se trata de ser contra ou favor da abertura da economia nacional, mas de pensar se esse, agora, é o melhor remédio diante da devastação provocada pela covid-19.”

No dia 23 de abril, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) encaminhou uma carta ao ministro Paulo Guedes pedindo a suspensão das negociações comerciais entre o governo brasileiro e a Coreia do Sul. No documento, a entidade diz que um acordo pode levar a um aumento do saldo negativo da balança comercial em ao menos US$ 7 bilhões para o Brasil.

“Temos informações de que a negociação está avançada, com cerca de 90% de cobertura do comércio bilateral. Contudo, o setor privado não foi informado sobre as concessões feitas pelos governos do Mercosul. Além disso, não parece haver dispositivos satisfatórios para tratar de produtos sensíveis, o que é comum nos acordos comerciais”, diz Robson Andrade, em nota.

Fonte: Estadão